OAB-GO cobra informações sobre morte de preso em cela que confessou ter assassinado a namorada

Por Sílvio Túlio, G1 GO

Alan foi encontrado morto em cela após confessar que assassinou a namorada, Fernanda — Foto: Arquivo Pessoal

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) baixou uma portaria na qual cobra explicações sobre a investigação da morte do preso Alan Pereira dos Reis, 22 anos, dentro de uma cela do Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia. Em um bilhete, ele relatou ameaças e agressões dias antes da morte. Segundo a Polícia Civil, ele foi detido e confessou ter assassinado a namorada, a gerente de hipermercado Fernanda Souza Silva, 33.

O documento é assinado por Roberto Serra, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO. Nele, ele pede que a entidade seja informada do andamento das investigações pelos seguintes órgãos:

  • Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia
  • Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP)
  • Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO).

Também pede que seja oficiado o Ministério Público para acompanhar as investigações sobre a morte de Alan.

Fernanda foi morta após ficar uma semana desaparecida — Foto: Vilma Souza/Arquivo Pessoal

Fernanda foi morta após ficar uma semana desaparecida — Foto: Vilma Souza/Arquivo Pessoal

A SSP informou que ainda não foi notificada. Já a Polícia Civil informou somente que “foi instaurado inquérito policial pelo GIH de Aparecida de Goiânia para investigar a causa e circunstância da morte morte do detento”.

Já a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) disse que tomou as providências legais para a apuração da morte do custodiado e que, se coloca à disposição da OAB para os esclarecimento necessários que forem solicitados.

O G1 também contatou o Ministério Público, por email no início da tarde desta segunda-feira (24), e aguarda retorno.

Serra afirmou que a integridade física e moral de qualquer preso deve ser preservada, independentemente da situação. Ele afirma que a OAB-GO também está acompanhando a morte de Fernanda.

“Estávamos, institucionalmente, acompanhando a investigação da morte da Fernanda. No entanto, também é uma luta constante, institucional, que a preservação da integridade física e moral e a própria dignidade da pessoa suspeita ou investigada deva ser preservada pelo estado que detém o poder de custódia do cidadão”, afirma.

Jovem que confessou morte da namorada relatou ameaças e agressões antes de ser achado morto em cela — Foto: Reprodução

Jovem que confessou morte da namorada relatou ameaças e agressões antes de ser achado morto em cela — Foto: Reprodução

Denúncias em bilhete

Serra disse que também serviu de base para a portaria relato feito pelo advogado de Alan, Pitter Johnson, sobre um bilhete que ele recebeu de seu cliente. Nele, segundo o defensor, constam ameaças e agressões feitas ao jovem enquanto ele ainda estava preso na cadeia de Bela Vista de Goiás antes de ser transferido para Aparecida de Goiânia.

Em um dos trechos, Alan diz: “Ele quer me matar ainda hoje”. No entanto, não diz quem. Em outro, ele alega que se contasse da surra, seria morto e que “por baixo da roupa estou todo arrebentado”.

Alan, segundo Johnson, também escreveu que os policiais ficam “incentivando os presos a acabarem” com ele. Por fim, anota que se fosse questionado sobre as lesões “é para falar que foi queda no banheiro”.

Câmeras mostram jovem que confessou morte da namorada passeando em shopping com ex e filhos após queimar corpo — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Câmeras mostram jovem que confessou morte da namorada passeando em shopping com ex e filhos após queimar corpo — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Morte de Fernanda

Fernanda ficou uma semana desaparecida até seu corpo ser encontrado queimado e enterrado. Segundo a polícia, o próprio Alan foi quem indicou o local onde estavam os restos mortais dela.

Alan foi preso em Marianópolis do Tocantins, na região oeste do estado, quando apresentou uma CNH falsa.Mesmo assim, ele foi identificado por causa de uma tatuagem.

A investigação apontou que após enterrar Fernanda, Alan pegou o carro dela e foi até um shopping de Goiânia com a ex-mulher e os dois filhos pequenos. Lá, fizeram compras e até tomaram açaí. Câmeras de segurança registraram ele tranquilamente no local como se nada tivesse ocorrido.

Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

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