Ministério Público e Conselho de Medicina investigam casos de negligência em hospital público do DF

Por Afonso Ferreira, G1 DF

Fachada do Hospital Regional de Samambaia — Foto: Google/Reprodução

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e o Conselho Regional de Medicina do DF informaram, nesta terça-feira (16), que investigam as denúncias de negligência médica e violência obstétrica no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), no Distrito Federal.

O caso foi revelado pelo G1 nessa segunda-feira (15). A Polícia Civil e a Secretaria de Saúde também apuram os registros (veja abaixo).

Segundo o MPDFT, as denúncias estão sendo analisadas pela Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida).

Ainda de acordo com o órgão, “as apurações estão sob sigilo por conterem registros de prontuários médicos e outros dados relativos à intimidade das vítimas”.

Ocorrências policiais

A Polícia Civil já registrou pelo menos 11 ocorrências de pacientes que acusam médicos do HRSam de negligência, desde setembro do ano passado. Os casos ocorreram no centro obstétrico da unidade.

Segundo o delegado Guilherme Sousa Melo, da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), que investiga os casos, mais três vítimas procuraram a delegacia nessa terça-feira (16).

Os registros abrangem vários tipos de conduta inadequada, desde gazes esquecidas dentro de pacientes até curetagens mal feitas.

Foto do Raio-x do recém-nascido que teve a clavícula quebrada no DF — Foto: Arquivo pessoal

Foto do Raio-x do recém-nascido que teve a clavícula quebrada no DF — Foto: Arquivo pessoal

Em um dos casos, uma paciente relatou que um médico quebrou a clavícula de um recém-nascido durante o parto. Apesar do ferimento, a criança sobreviveu. Uma imagem de raio-x, à qual o G1 teve acesso, mostra o osso da criança fraturado (veja acima).

A manicure Bruna Lima Santos, de 22 anos, também contou à reportagem que o médico responsável pelo procedimento foi “bruto” desde o momento da internação.

“Se eu fizesse qualquer barulho, ele mandava eu calar a boca. Dizia que na hora de fazer era bom, então agora eu tinha que aguentar”, conta a jovem.

Em um outro caso, uma paciente teve o útero perfurado após um procedimento de curetagem. A mulher procurou uma clínica particular depois de passar pelo HRSam. No local, foi aconselhada a retirar o útero, por conta dos danos causados pelo procedimento mal feito.

Só neste ano, oito mulheres procuraram a delegacia para relatar os casos. Pelos menos oito médicos estão sendo investigados.

Segundo o delegado Guilherme Sousa Melo, quatro profissionais foram citados em mais de uma ocorrência por suspeita de negligência médica e violência obstétrica.

Guilherme Sousa Melo, delegado da 26ª DP — Foto: Afonso Ferreira/G1

Guilherme Sousa Melo, delegado da 26ª DP — Foto: Afonso Ferreira/G1

O que diz a Secretaria de Saúde

A direção do Hospital Regional de Samambaia informou, em nota, “que recebeu denúncias envolvendo servidores da unidade. Todas as providências estão sendo tomadas pela direção e pela Superintendência da Região de Saúde Sudoeste”.

Ainda de acordo com a pasta, “um processo sigiloso foi aberto no âmbito da Secretaria de Saúde, que apura os fatos”.

Sobre o caso do recém-nascido que teve a clavícula quebrada, a pasta disse que “não irá se manifestar até a apuração de todos os fatos”.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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