Trecho de mais de 300 quilômetros do Rio Paraopeba está morto, diz SOS Mata Atlântica – Jornal Cometa

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Trecho de mais de 300 quilômetros do Rio Paraopeba está morto, diz SOS Mata Atlântica

Trecho de mais de 300 quilômetros do Rio Paraopeba está morto, diz SOS Mata Atlântica

27 fevereiro
14:03 2019

Por G1 Minas — Belo Horizonte

Rio Paraopeba, no centro de Brumadinho, tomado pela lama — Foto: Raquel Freitas/G1

Rio Paraopeba, no centro de Brumadinho, tomado pela lama — Foto: Raquel Freitas/G1

O resultado da expedição de ambientalistas da Fundação SOS Mata Atlântica que percorreu 305 quilômetros do Rio Paraopeba revelou que não há condições de vida aquática no trecho.

A análise foi feita desde Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde houve o rompimento da barragem da Vale, até Felixlândia, na Região Central de Minas Gerais. A expedição aconteceu entre os dias 31 de janeiro e 9 de fevereiro e percorreu 21 cidades.

Os indicadores de qualidade também mostraram que não há condições de uso da água. Dos 22 pontos analisados, 10 apresentaram resultado ruim e 12 péssimo.

Água do Paraopeba, contaminado por lama da Vale, é recolhida para análise  — Foto: Reprodução/TV Globo

Água do Paraopeba, contaminado por lama da Vale, é recolhida para análise — Foto: Reprodução/TV Globo

Metais pesados, como manganês, cobre e cromo, foram encontrados em níveis acima dos limites máximos fixados na legislação. O contato com a água contaminada pode causar náuseas, rigidez muscular, tremores e fraqueza. O relatório informou ainda que a lama destruiu 112 hectares de florestas nativas.

A ONG afirma que o rio deve ser monitorado permanentemente e que não há prazo para que o ecossistema se recupere. Como as características dos rejeitos de minério podem se modificar ao longo dos anos, a qualidade da água pode não se alterar por décadas.

O relatório aponta ainda elevadas taxas de turbidez e de bactérias, além de baixa oxigenação da água na maioria dos pontos analisados.

Para o SOS Mata Atlântica, a restauração florestal e a ampliação dos serviços de saneamento básico devem ser implementadas para que o rio se recupere com maior rapidez.

Imagem aérea mostra destruição em região afetada por rompimento de barragem na mineradora Vale — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagem aérea mostra destruição em região afetada por rompimento de barragem na mineradora Vale — Foto: Reprodução/TV Globo

Abastecimento

No dia 25 de janeiro, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) suspendeu a captação de água do Rio Paraopeba por causa do rompimento da barragem da Vale, na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com a companhia, o abastecimento da população atendida pelo Sistema Paraopeba está sendo realizado pelas represas do Rio Manso, Serra Azul, Várzea das Flores e pela captação a fio d’água do Rio das Velhas.

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