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PF cumpre mandados em ação que apura repasses indevidos a agentes públicos em Goiás

PF cumpre mandados em ação que apura repasses indevidos a agentes públicos em Goiás

06 dezembro
10:28 2018

Operação Confraria é um desdobramento da ‘Cash Delivery’, que prendeu o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). São cumpridos mandados em Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro.

Por Murillo Velasco, G1 GO

A Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira (6), uma operação que apura a suspeita de repasses indevidos a agentes públicos por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego). Chamada de “Confraria”, a ação é um desdobramento da “Cash Delivery”, que prendeu, em outubro deste ano, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

Entre os presos, está o ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, que também já havia sido preso na Cash Delivery. Ao G1, o advogado dele, Romero Ferraz, informou que trata-se de um mandado de prisão temporária, válida por cinco dias, e que já foi cumprido. Ele diz que não ainda não teve acesso aos autos, mas vai trabalhar para soltar seu cliente.

“Nós não tivemos acesso ainda à cópia da investigação. Estamos tentando acesso a ela pela Justiça Federal. Portanto, maiores detalhes eu não tenho como informar. Agora nós vamos atrás de saber quais os limites dessa operação e ingressar com alguma medida para poder impugnar e tentar soltá-lo”, afirma.

Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Desenvolvimento (SED), orgão do estado responsável pela Codego, informou que irá se posicionar após a coletiva da PF sobre o caso, marcada para esta manhã.

Quantia em dinheiro e celulares foram apreendidos durante a operação — Foto: PF/Divulgação Quantia em dinheiro e celulares foram apreendidos durante a operação — Foto: PF/Divulgação

Quantia em dinheiro e celulares foram apreendidos durante a operação — Foto: PF/Divulgação

A Operação Confraria foi deflagrada na madrugada desta quinta-feira. O nome da ação, segundo a PF, faz alusão às frequentes reuniões que, conforme a corporação, eram feitas com o objetivo de planejar as atividades ilícitas do grupo.

São cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e 4 de prisão temporária, em Goiânia, Caldas Novas, Aruanã, Brasília e Búzios. Além dos mandados, a força-tarefa também está fazendo o sequestro de alguns imóveis nestas cidades.

De acordo com a Polícia Federal, todos os mandados foram expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal, em Goiânia. Pelo menos 50 policiais trabalham no cumprimento das ordens judiciais.

Conforme a corporação, os investigados, que não tiveram a identidade divulgada, foram indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e corrupção.

Operação Cash Delivery

A Operação Cash Delivery foi deflagrada no dia 28 de setembro, prendeu cinco pessoas e cumpriu mandados em endereços ligados a Marconi Perillo. Foram presos, na época, Jayme Rincón, ex-presidente da Agetop, o filho dele, Rodrigo Godoi Rincón, Márcio Garcia de Moura – policial militar e motorista de Rincón –, o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior e o advogado Pablo Rogério de Oliveira.

Escutas da Polícia Federal presentes no inquérito que culminou na Operação Cash Delivery, obtidos pela TV anhanguera, mostram um diálogo que, segundo a corporação, revela a entrega de R$ 1,2 milhão em propina da Odebrecht para campanhas de Perillo em 2010 e 2014.

Outro documento, também obtido pela TV Anhanguera, mostra que o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior, preso na mesma operação, confirmou à Polícia Federal que prestou serviços a uma empresa onde, segundo as investigações, foram entregues R$ 1,8 milhão da Odebrecht. Na ocasião, ele também disse nunca ter recebido nenhuma quantia ilícita da empreiteira.

No inquérito consta que Marconi, ao solicitar os valores para suas campanhas, se mostrava favorável às demandas da Odebrecht em Goiás, como, por exemplo, na construção do VLT, que não saiu do papel, além de obras de esgoto no Entorno do Distrito Federal.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Perillo, quando ainda era senador e depois como governador, pediu e recebeu propina para favorecer a Odebrecht em contratos e obras. Os valores, segundo as investigações, foram de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

Veja outras notícias do estado no G1 Goiás.

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