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Operação Lava-Jato do Rio prendeu até agora 31% dos réus

Operação Lava-Jato do Rio prendeu até agora 31% dos réus

26 novembro
06:18 2017

A maioria dos investigados pela força-tarefa, 69%, permanece fora da cadeia

Por Antônio Werneck

O ex-governador Sérgio Cabral – Arquivo O GLOBO

RIO – Na semana em que os olhos da população ficaram voltados para a Cadeia Pública de Benfica, na Zona Norte do Rio, para onde foram levados os políticos que, por duas décadas, estiveram à frente do poder no Rio, incluindo três ex-governadores e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), um levantamento inédito da 7ª Vara Criminal Federal revela que a cadeia não tem sido o destino final da maioria dos envolvidos em suspeitas de corrupção no estado. Os dados, obtidos pelo GLOBO, mostram que 69% dos réus da Lava-Jato do Rio estão fora da prisão: 27 foram soltos, oito cumprem prisão domiciliar e 14, recolhimento noturno. São 23 os que estão de fato atrás das grades. Ao todo, 74 pessoas respondem a processos na primeira instância da Justiça Federal do Rio. A relação não incluiu os presos da Operação Cadeia Velha. Os deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo acabaram em Benfica por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

– INFOGRÁFICO: VEJA A TRAJETÓRIA DA ELITE POLÍTICA DO RIO, DO PODER À CADEIA

Os números da 7ª Vara reforçam o desabafo do procurador Eduardo El Hage, coordenador da Lava-Jato no Rio. Na semana passada, ele rebateu críticas feitas ao Ministério Público Federal e à Justiça por juristas de que há um abuso das prisões preventivas nos últimos anos, notadamente nos processos da operação. Segundo o procurador, não há abuso de prisões preventivas. O professor Thiago Bottino, da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio), concorda com a análise:

— Na minha opinião, 31% de prisões na Lava-Jato do Rio não é um número absurdo. Se fossem 80%, aí sim haveria alguma coisa errada, mas o número demonstra que a prisão preventiva não é a regra para o desenvolvimento da Lava-Jato no Rio.

A operação no Rio tem um único réu foragido: o empresário Arthur César Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”.

NO RIO, 21 PROCSSOS COM BRETAS

O levantamento da 7ª Vara Federal Criminal revela ainda que há 21 processos em curso no Rio sob a responsabilidade do juiz Marcelo Bretas, resultado de 15 operações. A Lava-Jato do Rio começou com a Operação Irmandade, deflagrada pela Polícia Federal em 10 de agosto de 2016, para investigar um esquema de propinas e desvios de recursos da Eletronuclear nas obras da Usina de Angra 3. O principal réu no processo é Adir Assad, irmão de Samir Assad, acusado de ser operador financeiro da construtora Delta, que integrava o consórcio responsável pelas obras. Adir Assad é uma das 23 pessoas presas na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.

Samir Assad é apontado como operador do esquema descoberto na Operação Pripyat, deflagrada em julho de 2016, formado por empresas de fachada que realizavam contratos fictícios e expediam notas fiscais falsas para a lavagem de dinheiro. Samir, ao contrário do irmão, cumpre prisão domiciliar

 

 

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