Mulheres cientistas: conheça dois projetos que estimulam a pesquisa entre alunas de escolas públicas do DF

Por Larissa Passos, G1 DF

Meninas da rede pública participando do projeto “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patrícia Favacho/Arquivo Pessoal

No domingo (8), foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e o G1, ao longo da semana, apresenta uma série de reportagens com o tema. Nesta terça-feira (10) o espaço é para as cientistas.

Na quarta reportagem da série, você vai conhecer dois projetos desenvolvidos na capital. Eles envolvem duas instituições públicas de ensino, a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB).

  1. Na UnB, professoras do Departamento de Ciência da Computação incentivam a participação de alunas da rede pública na área de computação;
  2. No IFB, duas adolescentes de 16 anos desenvolvem pesquisas nas áreas de alimentação e eletrônica.

Criação de drone e refrigerante natural

Danyelle Rodrigues da Silva faz curso técnico em eletrônica no Instituto Federal de Brasília (IFB). Em três anos, ela conta que já participou de mais de 15 projetos. Um dos considerados mais importantes, foi a confecção de um drone.

“Nós conseguimos fazer um drone duas vezes mais barato do que os comprados no mercado.”

Segundo a estudante, o drone que custaria em torno de R$ 5 mil, saiu por cerca de R$ 2 mil. A adolescente diz que “foi uma experiência mágica” – já que nunca havia tido contato com esse tipo de atividade.

A estudante, Danyelle Rodrigues da Silva, de 16 anos durante apresentação do drone.  — Foto: Danyelle Rodrigues da Silva/Arquivo Pessoal

A estudante, Danyelle Rodrigues da Silva, de 16 anos durante apresentação do drone. — Foto: Danyelle Rodrigues da Silva/Arquivo Pessoal

A partir do trabalho em sala de aula, Danyelle afirma ter se tornado clara, para ela, “a necessidade de apoiar e ter mulheres em todas áreas relacionadas com a ciência”.

“As mulheres adentrando nesse mundo é mais um sinal de que sim, nós podemos – e conseguimos – ser muito melhores naquilo que somos boas.”

A estudante reconhece que na eletrônica, as mulheres ainda são minoria. “Mas existem mais de nós no mundo”, afirma.

Já Karen Carneiro, que faz curso técnico integrado em alimentos no IFB, desenvolveu um projeto para a produção de um refrigerante “mais natural”. A adolescente “inventou” uma bebida com açaí e sem açúcar.

“Ele tenta ser o mais natural possível para o consumidor. Além disso, a gente quer fazer um produto seguro e que se adapte às tendências de mercado.”

Karen Carneiro, de 16 anos, durante apresentação de projeto no IFB. — Foto: Karen Carneiro/Arquivo pessoal

Karen Carneiro, de 16 anos, durante apresentação de projeto no IFB. — Foto: Karen Carneiro/Arquivo pessoal

A estudante conta que durante todo o curso teve contato com vários tipos de tecnologia. Os projetos de pesquisa foram, para ela, o grande diferencial na aprendizagem.

“Eu participei como monitora de várias atividades de jornada de pesquisa e extensão e auxiliei várias oficinas e workshops para proporcionar que um maior número de pessoas entrasse em contato com a área da pesquisa”, afirma, orgulhosa.

Karen revela ainda que pretende desenvolver um projeto relacionado à síntese do leite materno para mães que não conseguem amamentar.

“Vamos tentar criar uma versão mais aproximada do leite materno tentando partir de um similar e, depois, aumentar a durabilidade.”

Computação é coisa de menina, sim

Curso de computado na rede pública pelo projeto “MENINAS.COMP”.  — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal

Curso de computado na rede pública pelo projeto “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal

Em 2010, professoras do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) criaram o projeto MENINAS.COMP. O objetivo era incentivar a maior participação feminina de estudantes da rede pública, do ensino fundamental e médio, na área de computação.

Segundo uma das fundadoras Aletéia Patrícia, o programa quer mostrar a computação de forma lúdica e prática para as meninas. “Esse incentivo se dá por meio de aulas de robótica, de programação e de desenvolvimento de aplicativos”, explica.

“O resultado tem sido bem interessante. Muitas meninas dizem que nunca descobririam a computação, mas, depois de conhecer o projeto, não conseguem se ver em outra coisa.”

Meninas da rede pública durante o projeto “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal
Meninas da rede pública durante o projeto “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal

De acordo com Aletéia, é preciso que as escolas parceiras e voluntárias (veja mais detalhes abaixo) “vistam a camisa” – porque as professoras não conseguem dar aulas para todas as instituições.

“A gente treina os professores, passa todo material, um kit de aula, um kit de arduíno e eles conseguem usar.”

Para ela, a expectativa não é que as meninas participantes do projeto escolham a computação. “Mas que elas tenham consciência de sua escolha futura de curso” – e, se for o caso, que escolham a computação, mas por afinidade.

“A gente tem conseguido mostrar que computação é coisa de menina, sim.”

Meninas da rede pública durante curso do “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal

Meninas da rede pública durante curso do “MENINAS.COMP”. — Foto: Aletéia Patricia/Arquivo Pessoal

Aletéia conta que a ciência é importante para essas meninas, porque ela pode ser “desenvolvida pela maior diversidade possível de pessoas e, nessa diversidade, entra também a questão de gênero”.

“Várias pesquisas mostram que projetos desenvolvidos por maior diversidade na equipe, com maior equilíbrio entre mulheres e homens, são os projetos mais bem sucedidos.”

Veja a lista das escolas que participam do projeto:

  • CEDLAN – Centro Educacional do Lago Norte
  • CEL – Centro Educacional do Lago
  • CEM Paulo Freire – Centro de Ensino Médio Paulo Freite
  • Escola Técnica do Goiás/Campus Formosa
  • Colegio estadual jardim oriente
  • CEDVB – Centro Educacional Vargem Bonita
  • Colégio Don Bosco
  • CED 310 – Centro Educacional de Santa Maria
  • CED – 7 Centro Educacional 07 de Taguatinga
  • CEF 15 – Centro de Ensino Fundamental do Gama
  • CEF 209 – Centro de Ensino Fundamental de Santa Maria

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