Mulher de João de Deus deve ser ouvida pela Polícia Civil sobre denúncias de abuso sexual contra o médium – Jornal Cometa

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Mulher de João de Deus deve ser ouvida pela Polícia Civil sobre denúncias de abuso sexual contra o médium

Mulher de João de Deus deve ser ouvida pela Polícia Civil sobre denúncias de abuso sexual contra o médium

26 dezembro
09:14 2018

Depoimento está previsto para esta quarta-feira. Médium nega ter cometido os crimes.

Por Fábio Castro e Paula Resende, TV Anhanguera e G1 GO

João de Deus está preso em Goiás — Foto: Reprodução/JN

João de Deus está preso em Goiás — Foto: Reprodução/JN

A Polícia Civil deve ouvir nesta quarta-feira (26) a mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira, sobre as denúncias de abuso sexual contra o marido. Preso em Goiás, o médium nega ter cometido os crimes durante atendimentos espirituais em Abadiânia.

A força-tarefa policial recebeu 16 denúncias, sendo que nove casos se tornaram inquéritos. Um deles que, conforme a investigação, aconteceu em 24 de setembro, foi concluído e João de Deus foi denunciado por violação sexual mediante fraude.

Com base nos depoimentos, o delegado Valdemir Branco avalia o médium como uma pessoa “perigosa”.

“Várias vítimas relataram situações de grande gravidade, foram violentadas sexualmente. Nós temos caso aqui que a mãe foi abusada sexualmente. Anos depois, a filha também foi abusada. Então o homem João de Deus, na verdade, é um criminoso”, completou.

O advogado do médium, Alberto Toron, disse que desconhece os depoimentos citados pelo delegado. Ele afirmou ainda que não concorda com as afirmações. “A grande maioria dos casos até agora referidos são antigos e ele [João de Deus] mantinha um comportamento que não corrobora a ideia de periculosidade”, explicou. A defesa tenta a soltura do investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ana Keyla Teixeira, mulher de João de Deus, deve ser ouvida nesta quarta-feira — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Ana Keyla Teixeira, mulher de João de Deus, deve ser ouvida nesta quarta-feira — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Assim como a Polícia Civil, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) iniciou uma força-tarefa para apurar as denúncias contra o médium após os casos virem à tona no programa Conversa com Bial, no início de dezembro. Até esta quarta-feira (26), os promotores colheram 77 depoimentos de mulheres. Outro relato está previsto para esta tarde.

O MP-GO deve juntar o caso que a Polícia Civil concluiu com outras três denúncias que recebeu para oferecer a primeira denúncia contra o médium. O documento deve ser entregue ao Poder Judiciário até domingo (30), que é o prazo legal.

Operações da Polícia Civil e do MP-GO realizadas, em dois dias, encontraram R$ 1,6 milhão em espécie, armas, medicamentos e pedras que parecem ser preciosas em endereços ligados a João de Deus. Devido às apreensões, o médium teve um 2º mandado de prisão deferido, desta vez por posse ilegal de arma de fogo.

O médium já prestou depoimento à Polícia Civil de Goiás, mas deve ser ouvido novamente pela própria corporação e pelo MP-GO. Os promotores pretendem realizar o interrogatório do médium nesta semana para, em seguida, denunciá-lo.

Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia seus atendimentos, em Abadiânia, Goiás — Foto: Alessandro Vieira/TV Anhanguera

Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia seus atendimentos, em Abadiânia, Goiás — Foto: Alessandro Vieira/TV Anhanguera

João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro, quando se entregou à Polícia Civil. Ele está detido no Núcleo de Custódia do Completo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde dorme sozinho, mas passa o dia em uma cela com outros quatro presos.

O jornal “O Globo”, a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

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