Mesmo com filas para internação, UTIs ficavam ociosas em hospitais de Goiânia, denunciam vereadores

Média de leitos vagos ultrapassou 40% em 2016 e 2017. Ex-secretário Municipal de Saúde Fernando Machado.

Por Vitor Santana, G1 GO

Vereadores apresentam dados sobre vagas em UTIs de Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1) Vereadores apresentam dados sobre vagas em UTIs de Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

Vereadores apresentam dados sobre vagas em UTIs de Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

Os vereadores que compõem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde denunciaram nesta segunda-feira (26) que, mesmo havendo longa fila de espera por leitos, havia UTIs desocupadas entre 2016 e 2017 em hospitais de Goiânia. A média de espaços vagos ultrapassou 40%. Ouvido pelos parlamentares, o ex-secretário Municipal de Saúde Fernando Machado disse desconhecer a informação.

Os dados foram enviados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para os políticos, que investigam irregularidades na área. Não foram apresentadas informações sobre 2018.

Em nota, a SMS não se pronunciou sobre a denúncia, mas afirmou que “a atual gestão implantou um sistema de auditoria diária para fiscalizar a quantidade de leitos de UTI disponibilizados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e as taxas de ocupação destas vagas. Com a medida, os auditores acompanham diariamente a situação de cada prestador e, caso constatem alguma irregularidade, encaminham os dados para que todas as medidas cabíveis ao caso sejam tomadas”.

No segundo semestre de 2016, existiam 261 leitos disponíveis para o SUS. A taxa média diária era de 172 ocupados e 89 vazios. Já no primeiro semestre de 2017, eram 297 leitos, com uma taxa média diária de 169 ocupados e 128 desocupados.

“Uma portaria diz que, à medida que você contrata um leito, a prerrogativa é usar de acordo com a necessidade é o perfil do hospital. Não é qualquer paciente que pode ocupar qualquer leito de UTI”, disse o ex-secretário.

“O Ministério da Saúde aponta que até 20% de taxa de desocupação é aceitável devido à troca de pacientes, limpeza, preparação. Mas esse percentual eu não conheço, gostaria de ter acesso a esses dados para confrontar com os do Ministério”, completou.

O relator da CEI, vereador Elias Vaz (PSB), criticou a situação. “É um problema grave. Atualmente temos uma fila de 56 pessoas esperando por uma vaga de UTI. E, na época desses dados, também tínhamos essa demanda e ficou esse tanto de leitos vazios.”

O vereador Elias Vaz suspeita que essa ociosidade seja motivada pela seleção de pacientes que ocupam essas vagas. “Existe uma fila da morte. Eles escolhem pacientes menos graves para ocupar os leitos, diminuindo os custos e aumentando os lucros desses hospitais”, disse.

Gastos com ambulâncias

O ex-secretário também respondeu sobre as investigações dos vereadores em relação às suspeitas de superfaturamento de manutenções de ambulância. Ele negou envolvimento em qualquer fraude.

“Todo o processo seguia uma regra. O motorista verificava o problema, os supervisores atestavam o problema, faziam a ordem de serviço e depois a manutenção era fiscalizada e o pagamento feito. O que chegava para mim eram os processos já finalizados, atestados, certificados. Tínhamos que acreditar na fé pública dos servidores”, disse.

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