Justiça marca para setembro o depoimento de testemunhas sobre fraude na reforma do Mané Garrincha, no DF

Crimes de formação de quadrilha, organização criminosa, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro teriam ocorrido durante governos Arruda e Agnelo.

Por G1 DF e TV Globo

Estádio Mané Garrincha, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

11/06/2019 18h29 Atualizado há 13 horas

A operação, batizada de Panatenaico, é baseada em delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez. A Polícia Federal (PF) diz que as obras podem ter sido superfaturadas em cerca de R$ 900 milhões, visto que estavam orçadas em R$ 600 milhões mas custaram R$ 1,575 bilhão (entenda abaixo).

A 12ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região analisa os crimes de formação de quadrilha, organização criminosa, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Esses crimes teriam sido praticados durante os governos de José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz.

À reportagem, a defesa de José Roberto Arruda afirmou que a acusação vai ser questionada no momento oportuno. Já o advogado Alexandre Queiroz, que representa o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB), disse que pretende provar a inocência do cliente. A defesa de Agnelo Queiroz não atendeu à ligação da reportagem.

O estádio Mané Garrincha – o mais caro entre as obras para a Copa do Mundo de 2014 – foi reformado, segundo a denúncia, depois de um “acordo de mercado” entre a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Ao todo, 12 pessoas são rés nos processos.

Operação Panatenaico

Foto anexada ao relatório da PF mostra maços de dinheiro em painel de carro — Foto: Polícia Federal/Reprodução


Foto anexada ao relatório da PF mostra maços de dinheiro em painel de carro — Foto: Polícia Federal/Reprodução

A Panatenaico foi deflagrada em 23 de maio de 2017, quando Agnelo, Filippelli, Arruda e outras sete pessoas foram detidas por relação com as obras do Mané Garrincha. Em 1º de junho, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Novacap – empresa responsável pela execução das obras públicas no DF – e na casa de gestores do órgão.

Os documentos apreendidos se juntaram a arquivos fornecidos pelos próprios executivos da Andrade Gutierrez, no acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal (MPF). Nos papéis da empreiteira, havia planilhas referentes à obra e com data anterior ao lançamento da licitação – ou seja, quando as regras da concorrência ainda nem tinham sido anunciadas.

A PF também identificou irregularidades nas notas emitidas pela Andrade Gutierrez na “medição” das obras – instrumento usado para prestar contas de cada etapa, durante o contrato. Os documentos incluíam serviços de buffet para datas comemorativas, aluguel de camarotes e logística de shows.

Na delação, o ex-executivo Rodrigo Leite Vieira afirmou que alguns dos repasses de propina foram feitos no próprio canteiro de obras do Mané. A descrição das condutas ilegais, segundo a PF, condiz com as citações do estádio nas delações de ex-executivos da Odebrecht, divulgadas em abril de 2017.

Arte Corrupção Mané Garrincha - Vale este — Foto: Editoria de Arte/G1