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Enem 2017: vale a pena estudar a tensão entre EUA e Coreia do Norte?

Enem 2017: vale a pena estudar a tensão entre EUA e Coreia do Norte?

10 outubro
09:20 2017

Professores do ensino médio dizem que sim. Veja as dicas para se atualizar sobre o tema e entender como o Enem pode abordar o assunto nas provas.

Por Ana Carolina Moreno, G1

Homem observa imagem do presidente americano, Donald Trump, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Seul, na Coreia do Sul  (Foto: Ahn Young-joon/ AP) Homem observa imagem do presidente americano, Donald Trump, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Seul, na Coreia do Sul  (Foto: Ahn Young-joon/ AP)

Homem observa imagem do presidente americano, Donald Trump, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Seul, na Coreia do Sul (Foto: Ahn Young-joon/ AP)

A tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte tem recebido espaço cativo no noticiário há cerca de dois meses, e também tem chance de ganhar o seu cantinho na edição de 2017 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segundo afirmaram ao G1 três professores de ensino médio de escolas particulares:

  • Filipe Giuseppe, professor de geografia do terceiro ano da Escola Móbile
  • Marcelo Veraldi Cabral, coordenador do ensino médio do Colégio Agostiniano São José
  • Michele Rodrigues, professora de geografia do ensino médio do Colégio Vital Brazil

Mesmo que a crise atual, desencadeada no fim de julho, seja relativamente recente e talvez tenha escalado depois que os cadernos de prova do Enem já tinham sido definidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os professores explicam que a troca de ameaças entre os dois países já preocupam a opinião pública desde janeiro, quando Donald Trump assumiu a presidência dos EUA. Isso quer dizer que vestibulares propensos a se inspirar nas questões de atualidade para pedir conteúdos do ensino médio – como é o caso do Enem – podem incluir o assunto em uma ou mais questões, e não só na prova de ciências humanas.

Veja abaixo como o Enem pode cobrar o assunto, como se preparar para responder corretamente e que notícias te ajudam a entender o tema:

Cobrança indireta

Michele Rodrigues afirma que “o Enem não cobra questões diretas sobre a atualidade, mas assuntos do cotidiano podem servir de pretexto para contextualizar outras questões”.

Segundo Marcelo Veraldi Cabral, não só existe a chance de o assunto cair como o Enem como há diversas formas e provas nas quais o tema pode aparecer. Ele cita os três aspectos em que acredita que o conteúdo possa ser cobrado dos candidatos: o contexto histórico, o contexto geopolítico e a ciência por trás dos armamentos envolvidos.

Para o professor Filipe Giuseppe, é difícil prever o que vai ser pedido nas provas, e o Enem dá “mais ênfase para os problemas brasileiros, principalmente na geografia”, mas também inclui assuntos da geopolítica e história mundiais. “O Enem tem questões não diretamente ligadas à temática central, mas pode colocar um texto e pedir alguma coisa sobre a região, para ver se aluno conhece, de uma forma mais geral. Então, acho que o aluno deve estar ligado nessa questão. Se não cair no Enem, nos outros tem grande chance de aparecer.”

Contexto histórico

Sobre o viés histórico, a professora Michele recomenda que os estudantes retomem as aulas sobre o episódio da Guerra Fria envolvendo a Guerra das Coreias para “entender o funcionamento do governo norte-coreano, acusado de várias violações de direitos humanos, o programa nuclear que eles desenvolveram durante a Guerra Fria. A Coreia do Norte, junto com Irã e Iraque faziam parte do que determinado momento o governo Bush chamava de Eixo do Mal”.

“A questão da Guerra da Coreia, no contexto da Guerra Fria, é uma questão clássica dos vestibulares, inclusive do próprio Enem”, diz Giuseppe. Ele lembra que, do ponto de vista da Coreia do Norte – o menos difundido no Ocidente, a busca por armamentos nucleares é justificada pela necessidade de defesa contra uma possível invasão por parte dos Estados Unidos, que há mais de 60 anos mantém tropas militares em território sul-coreano, na fronteira entre as duas Coreias.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Coreia do Sul,  (Foto: Kevin Lamarque/ Reuters) Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Coreia do Sul,  (Foto: Kevin Lamarque/ Reuters)

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Coreia do Sul, (Foto: Kevin Lamarque/ Reuters)

Contexto geopolítico

O professor da Móbile lembra que o estudante precisa estar preparado no dia da prova, para evitar responder às questões sobre o tema com base no senso comum. Ele cita uma questão em um dos vestibulares da Fuvest em que o aluno tinha que comparar as duas Coreias, falar sobre os regimes políticos delas, e inclusive comparar o índice de desenvolvimento humano. Segundo ele, quem respondeu que a Coreia do Norte tem índice baixo de desenvolvimento humano perdeu pontos. “Não é verdade,ela tem um médio desenvolvimento humano, e expectativa de vida de uns 70 anos”, disse.

“Não pode reproduzir o senso comum quando vai fazer uma análise da Coreia do Norte, mas também não pode esquecer dos pontos negativos do regime, principalmente a liberdade de informação.” – Filipe Giuseppe, professor da Escola Móbile

Para Marcelo Cabral, é importante para o aluno “entender o contexto histórico de por que a situação chegou até aqui, a geopolítica que ela envolve e por que isso poderia afetar o mundo”.

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, sorri enquanto observa com binóculos um grupo militar norte-coreano mantendo guarda à frente de um posto na costa leste da península coreana (Foto: Reuters/KCNA) O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, sorri enquanto observa com binóculos um grupo militar norte-coreano mantendo guarda à frente de um posto na costa leste da península coreana (Foto: Reuters/KCNA)

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, sorri enquanto observa com binóculos um grupo militar norte-coreano mantendo guarda à frente de um posto na costa leste da península coreana (Foto: Reuters/KCNA)

Michele diz ainda que “o Enem pode pedir violações de direitos humanos não só lá como em outros países”, por isso, é importante que os candidatos conheçam não só a política do atual governo americano para a Coreia do Norte, mas também a de presidentes anteriores. “Os governos anteriores ao Trump foram tentando medidas mais diplomáticas. As sanções serviam para tentar sufocar a economia norte-coreana, para ver em que medida conseguiam fazer o governo recuar.”

Embaixadores do Conselho de Segurança da ONU votam neste sábado (5) em sanções contra a Coreia do Norte (Foto: Eduardo Munoz Alvarez / AFP) Embaixadores do Conselho de Segurança da ONU votam neste sábado (5) em sanções contra a Coreia do Norte (Foto: Eduardo Munoz Alvarez / AFP)

Embaixadores do Conselho de Segurança da ONU votam neste sábado (5) em sanções contra a Coreia do Norte (Foto: Eduardo Munoz Alvarez / AFP)

Prova de ciências da natureza

“Para o aluno, é importante entender como começou, o contexto histórico que envolve, a questão econômica que envolve os aliados da Coreia, por que não existe uma repressão tão declarada por parte da China em relação à Coreia do Norte. E é importante dizer que existe uma ciência por trás”, explicou Marcelo Cabral, do Colégio Agostiniano São José.

O presidente chinês Xi está, novamente, lidando com a crise enquanto sedia um encontro internacional (Foto: Reuters/Thomas Peter) O presidente chinês Xi está, novamente, lidando com a crise enquanto sedia um encontro internacional (Foto: Reuters/Thomas Peter)

O presidente chinês Xi está, novamente, lidando com a crise enquanto sedia um encontro internacional (Foto: Reuters/Thomas Peter)

“O Enem gosta muito de fazer questões interdisciplinares que possam envolver tanto a física, como o lançamento dos mísseis, as bombas, a parte de ciência que envolve esse mecanismo e arsenal de guerra que a Coreia do Norte diz que tem.” – Marcelo Veraldi Cabral, coordenador do ensino médio do Colégio Agostiniano São José

De acordo com ele, conhecimentos sobre o lançamento oblíquo, que fazem parte dos estudos de física sobre balística, podem ser exigidos em uma questão prática sobre o lançamento de mísseis. Na área de química, a prova pode pedir questões relacionadas aos elementos que compõem as bombas atômica e de hidrogênio. “A relação do próprio urânio com conteúdo especificamente de química, que calcule o número atômico.”

míssil coreia do norte (Foto: Arte/G1) míssil coreia do norte (Foto: Arte/G1)

míssil coreia do norte (Foto: Arte/G1)

Em questões como essas, Marcelo afirma que “os alunos têm tendência ao erro porque envolve outros tantos conteúdos da matéria”, e a aproximação da teoria com um fato real pode ajudá-los a entender melhor o conteúdo. “Acho que o Enem pode fazer essa ligação sim. O contexto histórico, o geopolítico e as questões de ciências da natureza são as três grandes possibilidades.”

Vista aérea de Guam, território americano no Oceano Pacífico, próximo da Coreia do Norte, que Kim Jong-un prometeu atacar (Foto: Marinha dos EUA via Reuters) Vista aérea de Guam, território americano no Oceano Pacífico, próximo da Coreia do Norte, que Kim Jong-un prometeu atacar (Foto: Marinha dos EUA via Reuters)

Vista aérea de Guam, território americano no Oceano Pacífico, próximo da Coreia do Norte, que Kim Jong-un prometeu atacar (Foto: Marinha dos EUA via Reuters)

Estudar pelos livros didáticos e pelas notícias

Segundo a professora Michele, os estudantes, além de estudar usando os livros didáticos, também “precisam se atualizar e ler muita notícia”. Ela diz que a pesquisa pelos jornais pode ajudar a direcionar os estudantes sobre os conteúdos ensinados em aula.

“Os jornais contribuem quando trazem um assunto, ainda mais um assunto tão polêmico como esse, porque eles sempre resgatam um pouco do contexto histórico e geográfico” – Michele Rodrigues, professora do Colégio Vital Brazil

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