Desembargadora manda soltar últimos dois presos em ação da PF que mirou ex-governador de Goiás José Eliton – Jornal Cometa

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Desembargadora manda soltar últimos dois presos em ação da PF que mirou ex-governador de Goiás José Eliton

Desembargadora manda soltar últimos dois presos em ação da PF que mirou ex-governador de Goiás José Eliton

01 abril
07:28 2019

Por Raquel Morais, G1 GO

Polícia Federal apreende mala com cerca de R$ 800 mil durante a segunda fase da Operação Decantação, em Goiânia, Goiás — Foto: Polícia Federal/ Divulgação

Polícia Federal apreende mala com cerca de R$ 800 mil durante a segunda fase da Operação Decantação, em Goiânia, Goiás — Foto: Polícia Federal/ Divulgação

A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso concedeu, neste domingo (31), habeas corpus aos proprietários da Sanefer, Carlos Eduardo Pereira da Costa e Nilvane Tomás de Sousa Costa. Presos na Operação Decantação 2, que investigou desvio de verbas da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), eles eram os únicos que ainda não haviam conseguido liberdade e sempre alegaram inocência.

A operação, conduzida pela Polícia Federal, ocorreu na quinta-feira (28), prendeu cinco pessoas e cumpriu oito mandados de busca, sendo um deles no apartamento do ex-governador de Goiás José Eliton (PSDB). O político e os detidos negam ter cometido irregularidades.

Ao justificar a decisão, a desembargadora disse não haver “nenhum fato, atuação ou envolvimento recente que justifique” a manutenção da prisão do casal.

Neste sábado (30), ela já havia concedido habeas corpus de Luiz Alberto de Oliveira (Bambu), ex-chefe de gabinete do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), e a filha dele, Gisella Albuquerque, ex-assessora comissionada do governo do Estado. Com eles foram encontrados R$ 2,3 milhões.

Mala achada com R$ 1 milhão dentro de carro de preso durante a Operação Decantação 2, em Goiânia, Goiás — Foto: Polícia Federal/ Reprodução

Mala achada com R$ 1 milhão dentro de carro de preso durante a Operação Decantação 2, em Goiânia, Goiás — Foto: Polícia Federal/ Reprodução

O advogado Pedro Márcio Siqueira, que os representa, disse à TV Anhanguera que o dinheiro é de origem lícita, declarado no Imposto de Renda e referente à compra de um apartamento. Sobre as armas achadas, ele afirmou que todas são devidamente registradas.

O quinto preso foi o ex-diretor de gestão corporativa da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) Robson Salazar, primeiro que conseguiu liberdade e foi solto neste sábado. Os advogados Romero Ferraz Filho e Luís Alexandre Rassi, que o representam Robson Borges Salazar, informaram, em nota, que consideram a prisão desnecessária e que a defesa prévia dele foi feita há quase um ano, mas nunca apreciada.

João Carlos Tomás, Tatiana Nolasco, Daniella Campos e Rodrigo Rizzo, que representam a defesa de Carlos Eduardo Pereira da Costa e Nilvane Tomás de Sousa Costa, disseram, quando a operação ocorreu, que “a soltura dos nossos clientes só demonstra a ilegalidade da prisão”.

Ex-governador José Eliton fala sobre investigações da Operação Decantação 2 em Goiânia Goiás — Foto: Honório Jacometto/TVAnhanguera

Ex-governador José Eliton fala sobre investigações da Operação Decantação 2 em Goiânia Goiás — Foto: Honório Jacometto/TVAnhanguera

A PF informou que o pedido de prisão contra José Eliton foi negado pela Justiça. O político prestou depoimento à corporação na sexta (29). Em declaração à imprensa em seguida, negou ter feito qualquer pagamento indevido às empresas investigadas.

De acordo com o político, todos os voos que fez durante campanha política, que foram apontados pela investigação como “contrapartida” por favorecimento de uma empresa nos pagamentos, na verdade foram legais.

A Saneago informou, em nota, que “a atual gestão da empresa tem priorizado a implantação das melhores práticas de governança, para garantir a lisura em todos os processos da companhia, como a criação da Superintendência de Governança”. A Saneago completou que “permanece prestando toda a colaboração necessária às investigações”.

Investigação

As investigações constaram que três empresas, de um único dono, foram beneficiadas em contratos com a Saneago, mesmo com “impedimentos fiscais e não sendo especialistas na prestação dos serviços demandados, o que indica direcionamento de licitação”.

Mensagens de aplicativo interceptadas pela PF indicam que José Eliton usava o avião de um dos presos durante campanha política. Segundo a investigação, essa a ação era “doação eleitoral” da empresa Sanefer, que recebia, por meio da Saneago, os supostos pagamentos indevidos da Secretaria de Segurança Pública (SSP), na época que o político acumulava a chefia da pasta e a vice-governadoria.

Conforme a PF, os envolvidos devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, fraudes em processos licitatórios e lavagem de dinheiro.

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