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Bispo acusado de desvio de dízimos em Formosa lista Papa Francisco como testemunha de defesa

Bispo acusado de desvio de dízimos em Formosa lista Papa Francisco como testemunha de defesa

10 maio
09:27 2018

Segundo MP-GO, foram desviados mais de R$ 2 milhões da Diocese da cidade. Nove membros Igreja foram acusados do crime e respondem em liberdade.

Por Raquel Morais, G1 Goiás

Nome do Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, que aparece listado como testemunha de defesa (Foto: Reprodução) Nome do Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, que aparece listado como testemunha de defesa (Foto: Reprodução)

Nome do Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, que aparece listado como testemunha de defesa (Foto: Reprodução)

O bispo afastado de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, listou o Papa Francisco, o núncio apostólico no Brasil, Giovanni D’Aniello, e o cardeal Dom João Braz de Aviz entre as 31 testemunhas de defesa no processo que investiga o desvio de mais de R$ 2 milhões em dízimos da Diocese de Formosa. O advogado dele, Lucas Rivas, disse que as escolhas foram técnicas. Ele defende a inocência do padre.

Além dele, outras dez pessoas — incluindo o juiz eclesiástico Tiago Wenceslau, o vigário-geral Epitacio Cardozo e mais três padres — estão entre os acusados de participar do esquema. O Ministério Público apurou que eles usaram o dinheiro para comprar uma fazenda de gado, uma casa lotérica e carros de luxo.

“Ficou bem evidente desde a busca da soltura dos religiosos por meio de habeas corpus, que a estratégia dos acusados é adiar o máximo que puderem o julgamento do caso, de forma a se beneficiarem do transcurso do tempo, que virá acompanhado de um pretendido esquecimento e da prescrição”, disse o promotor responsável pelo caso, Douglas Chegury.

O G1 tentou contato com a Nunciatura Apostólica no Brasil (que funciona como embaixada da Santa Sé) ao longo de quarta-feira (9), mas não recebeu retorno.

À reportagem, a assessoria do “interventor” nomeado pelo Papa após o escândalo, Dom Paulo Mendes Peixoto, disse que ele está escrevendo um parecer, juntamente com outros responsáveis, para enviar para a Santa Sé e, a partir deste documento, a Igreja tomará as devidas medidas. Ainda não há nada definido.

Desde a soltura, Dom José Ronaldo está ficando na casa episcopal (casa do bispo da Diocese), porém não está exercendo nenhuma função administrativa.

Bispo e padres suspeitos de desviar dízimo deixam a cadeia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução) Bispo e padres suspeitos de desviar dízimo deixam a cadeia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Bispo e padres suspeitos de desviar dízimo deixam a cadeia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Operação Caifás

Deflagrada pelo MP-GO, a Operação Caifás apura o desvio de R$ 2 milhões pela Diocese de Formosa. No último dia 19 de março, nove pessoas foram presas. Além do dízimo, a apuração apontou que o grupo se apropriava de dinheiro oriundo de doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos.

As investigações sobre o desvio começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Eles afirmaram que as despesas da casa episcopal subiram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde a chegada do bispo Dom José Ronaldo, em 2015. Na ocasião, o clérigo negou haver irregularidades nas contas da Diocese de Formosa.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça foram usadas na apuração. O grupo teria comprado uma fazenda de gado, carros de luxo e uma lotérica com os recursos. A operação culminou com apreensões em Formosa, Posse e Planaltina. Durante as apreensões, foi encontrado dinheiro escondido em fundo falso de armário (assista abaixo).

Vídeo mostra dinheiro em fundo falso de armário de clérigo; MP apura se valor foi desviado

Vídeo mostra dinheiro em fundo falso de armário de clérigo; MP apura se valor foi desviado

Após menos de um mês detidos em uma ala isolada do recém-inaugurado presídio da Formosa, os presos foram liberados por habeas corpus concedidos pela Justiça. Na saída da cadeia, o bispo Dom José Ronaldo, outros quatro clérigos e dois empresários foram recebidos com festa por parentes e amigos.

Bloqueio de bens

O juiz Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal de Formosa, determinou em 27 de março o bloqueio de bens dos seis clérigos, dois empresários e do secretário da Cúria. O limite é de até R$ 1 milhão por cada. Também foi autorizada a quebra do sigilo bancário e fiscal dos acusados.

Gestor temporário da Diocese de Formosa nomeado pelo Papa Francisco e arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto criticou o bispo preso e disse que recebeu “caixa vazio e com dívida”. Ele auxiliará nas atividades da paróquia da região até que seja nomeado um novo bispo.

Dom Paulo Mendes Peixoto auxilia nas atividades da diocese de Formosa (Foto: CNBB/ Divulgação) Dom Paulo Mendes Peixoto auxilia nas atividades da diocese de Formosa (Foto: CNBB/ Divulgação)

Dom Paulo Mendes Peixoto auxilia nas atividades da diocese de Formosa (Foto: CNBB/ Divulgação)

A polícias apura outras acusações que surgiram contra o bispo fora do processo. Entre elas, está o uso de cartões da Igreja para compra de bebidas alcoólicas. De acordo com boletim de ocorrência, houve gasto de R$ 4 mil indevidamente.

No processo do MP-GO constam documentos que apontam que alguns dos religiosos acusados de desvios de dízimos reconheceram a ausência de R$ 910 mil nos caixas das igrejas. O órgão acredita que o padre Waldson José de Melo, de Posse, o monsenhor Epitácio Cardozo Pereira e o bispo Dom José Ronaldo embolsavam os valores declarados como “desaparecidos”.

Além disso, fiéis afirmam que Dom José Ronaldo aumentou em até 400% taxas de casamento quando assumiu a administração, em 2014. As mesmas informações chegaram ao MP-GO) por meio do depoimento de um dos padres que denunciou o esquema, mas, segundo o promotor, ainda não compõem uma apuração específic

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