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Após ir para o regime semiaberto, Carlinhos Cachoeira começa a trabalhar em empresa farmacêutica

Após ir para o regime semiaberto, Carlinhos Cachoeira começa a trabalhar em empresa farmacêutica

12 junho
08:29 2018

Com salário de R$ 6,5 mil, contraventor se apresenta para primeiro dia de serviço, em Aparecida de Goiânia. Condenado por fraude na loteria carioca, ele foi beneficiado por decisão do STJ.

Por Sílvio Túlio, G1 GO

Carlinhos Cachoeira começa a trabalhar em empresa farmacêutica; salário é de R$ 6,5 mil (Foto: TV Anhanguera/Reprodução) Carlinhos Cachoeira começa a trabalhar em empresa farmacêutica; salário é de R$ 6,5 mil (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Carlinhos Cachoeira começa a trabalhar em empresa farmacêutica; salário é de R$ 6,5 mil (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Três dias após ir para o regime semiaberto, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, começou a trabalhar, nesta segunda-feira (11), em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital. Segundo apurou o G1, ele foi contratado por uma empresa de distribuição de material hospitalar e farmacêutico, situada no Polo Industrial. O salário é de R$ 6,5 mil.

O advogado de Cachoeira, Cléber Lopes, confirmou que o primeiro dia de serviço de seu cliente, mas não soube dar mais detalhes. A pendência relacionada ao crachá para entrar na companhia, relatada pelo defensor, já foi regularizada. A Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) também já havia inspecionado o local.

De acordo com a DGAP, de acordo com carta de emprego e pedido de dilatação de horário protocolado na Vara de Execução Penal, Cachoeira pode trabalhar até as 21h. Ele não pode ingerir bebida alcoólica. Além do serviço, está liberado para ir a consultas médicas e odontológicas, além de audiências judiciais.

Condenado a 6 anos e 8 meses em regime fechado por fraudes na loteria carioca, Cachoeira obteve junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) diminuição da pena para 4 anos e progressão para o semiaberto. Por isso, ele passou a ser monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica.

Cachoeira vai passar o expediente na empresa e dormir na casa em que mora com a família, no Residencial Alphaville Cruzeiro do Sul, residencial de luxo de Goiânia.

Carlinhos Cachoeira vai dormir em casa, em condomínio de luxo, em Goiânia (Foto: Honório Jacometto/TV Anhanguera) Carlinhos Cachoeira vai dormir em casa, em condomínio de luxo, em Goiânia (Foto: Honório Jacometto/TV Anhanguera)

Carlinhos Cachoeira vai dormir em casa, em condomínio de luxo, em Goiânia (Foto: Honório Jacometto/TV Anhanguera)

Transferência

O contraventor deixou o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional na noite de quinta-feira (7). Ele foi beneficiado por decisão do ministro Jorge Mussi, do STJ.

No entanto, um imbróglio entre dois juízes, que alegavam incompetência para deliberar sobre a questão, motivou um novo pedido, desta vez ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), também negado. Os advogados então foram novamente ao STJ, conseguindo o deferimento da solicitação.

A transferência do bicheiro para o regime semiaberto ocorre apesar do preso responder por processo disciplinar por planejar um churrasco no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Servidores envolvidos na ação, que teriam autorizado entrada de carnes, mandioca e tomate, foram afastados, segundo a DGAP.

A defesa também pediu para que o contraventor cumpra pena em regime aberto, mas a liminar foi negada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fraudes na Loteria

Em 2012, Cachoeira e Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, foram condenados a 8 e a 12 anos de prisão, respectivamente, pela 29ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, por corrupção e fraude em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, Waldomiro Diniz pediu R$ 1,7 milhão ao empresário como propina – o dinheiro também teria sido usado para abastecer campanha eleitoral de políticos.

Em troca, acrescenta o MP do Rio, Cachoeira obteve a alteração de um edital de licitação para se favorecer.

Na mesma decisão em que pediu a prisão imediata de Cachoeira, o ministro Nefi Cordeiro rejeitou um outro pedido do Ministério Público, para execução da pena de Waldomiro, por entender que ainda há recurso pendente de análise na Justiça.

Imagem de junho de 2016 quando Carlinhos Cachoeira prestou depoimento à PF (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil ) Imagem de junho de 2016 quando Carlinhos Cachoeira prestou depoimento à PF (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )

Imagem de junho de 2016 quando Carlinhos Cachoeira prestou depoimento à PF (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )

Prisões anteriores

Cachoeira já foi condenado por crimes como contrabando de caça-níqueis, peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha.

O bicheiro foi preso pela primeira vez em 29 de fevereiro de 2012, na Operação Monte Carlo. De acordo com a Polícia Federal, ele comandava um esquema de jogos de azar em Goiás e no Distrito Federal, com envolvimento de políticos.

Após nove meses, Cachoeira deixou o presídio da Papuda, em Brasília, beneficiado por um alvará de soltura expedido pela 5ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Na época, ele foi condenado na Operação Saint-Michel, um desdobramento da Monte Carlo, que apurou o envolvimento de agentes públicos e empresários em uma quadrilha que explorava o jogo ilegal e tráfico de influência também em Brasília.

Duas semanas depois, em 7 de dezembro, Cachoeira foi preso novamente após ser condenado a 39 anos de prisão por peculato, corrupção ativa, violação de sigilo e formação de quadrilha. Entretanto, conseguiu um habeas corpus e deixou a cadeia quatro dias depois.

Cachoeira voltou a ser preso no dia 30 de junho de 2016, no condomínio de luxo onde mora em Goiânia, pela Operação Saqueador, da Polícia Federal (PM) e do Ministério Público Federal (MPF). A ação apurava lavagem de dinheiro e desvio de verbas em obras públicas. A investigação apontou um esquema que desviou R$ 370 milhões de cofres públicos.

Conforme o MPF, na época, Cachoeira era responsável por criar empresas e contratos fictícios com a construtora Delta. O valor era sacado e usado para pagamento de propinas. Logo após a deflagração da operação, o MPF informou que pedia a condenação dos envolvidos por lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de solicitar a reparação dos danos causados.

Após a prisão, ele foi levado para o Rio de Janeiro, onde ficou por pouco mais de um mês. No dia 17 de agosto, ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar e foi levado de volta para a capital goiana. O pedido de habeas corpus da defesa do contraventor já havia sido feito ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, que javia negado a solicitação.

Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

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