A morte do menino Rhuan Maycon: mãe e companheira ficam em silêncio durante depoimento à Justiça, no DF

Por Pedro Alves, G1 DF

Mulheres suspeitas de matar e esquartejar menino de 9 anos no DF — Foto: Divulgação PC/DF

Quase cinco meses após o assassinato do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, a Justiça do Distrito Federal ouviu as testemunhas do caso. A audiência ocorreu na última segunda-feira (21), no Tribunal do Júri de Samambaia.

O menino foi assassinado em 1º de junho. Segundo as investigações, o crime foi cometido pela mãe da criança, Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, e pela companheira dela, Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, de 28 anos. Rhuan foi esquartejado e partes do corpo dele foram encontradas dentro de uma mala (relembre abaixo).

Durante a audiência, na última segunda, as duas acusadas foram interrogadas. No entanto, preferiram ficar em silêncio e não responderam às perguntas do juiz Fabrício Castagna Lunardi. Segundo a ata da audiência, elas permaneceram algemadas durante todo o tempo.

Rhuan Maicon tinha quatro anos quando saiu do Acre com a mãe, segundo avô — Foto: Arquivo da família
Rhuan Maicon tinha quatro anos quando saiu do Acre com a mãe, segundo avô — Foto: Arquivo da família

Ao fim da audiência, o juiz encerrou a fase de instrução do processo, momento em que são produzidas as provas. Agora, o magistrado vai decidir se atende a um pedido do Ministério Público do DF para que as acusadas sejam julgadas por um júri popular.

  1. Homicídio qualificado
  2. Lesão corporal gravíssima
  3. Tortura
  4. Ocultação e destruição de cadáver
  5. Fraude processual

Depoimentos no Acre

No dia 14 de outubro, oito testemunhas do caso foram ouvidas no Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), a pedido da Justiça do DF. Duas pessoas que haviam sido convocadas a depor não foram encontradas.

Rhuan Maycon e o avô — Foto: Arquivo da família

Rhuan Maycon e o avô — Foto: Arquivo da família

da companheira, uma menina de 8 anos.

O pai de Rhuan tinha a guarda do menino, por decisão judicial. A família chegou a registrar um boletim de ocorrência após o sumiço do garoto.

O crime

O corpo de Rhuan Maycon foi encontrado na madrugada do dia 1º junho, esquartejado, dentro de uma mala deixada na quadra QR 425 de Samambaia, no DF. As partes da vítima foram localizadas por moradores da região.

A mãe do menino, Rosana Cândido e a companheira dela, Kacyla Pryscila, foram presas na casa onde moravam com o menino e com a filha de Kacyla, uma menina de 8 anos.

Quadra em Samambaia, no DF, onde menino de 9 anos morava — Foto: Arquivo pessoal

Quadra em Samambaia, no DF, onde menino de 9 anos morava — Foto: Arquivo pessoal

Em depoimento à polícia, Rosana contou que “sentia ódio e nenhum amor pela criança”. Na denúncia, o Ministério Público do DF afirmou que a mãe de Rhuan arquitetou o crime por odiar a família do pai dele.

“Rosana nutria sentimento de ódio em relação à família paterna da vítima. Kacyla conhecia os motivos da companheira e aderiu a eles”, diz a denúncia.

As duas também foram acusadas por tortura. Segundo o MP, elas “castraram e emascularam a vítima clandestinamente” e “impediram que Rhuan tivesse acesso a qualquer tratamento ou acompanhamento médico”.

“Com apenas 4 anos de idade, Rhuan passou a sofrer constantes agressões físicas e psicológicas e a ser constantemente castigado de forma intensa e desproporcional, ultrapassando a situação de mero maltrato”, diz a denúncia.

RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter